18 novembro, 2014

Arte caigangue junto à Ponte do Tamarindo

     A expectativa de aumento do consumo em função do Natal mobiliza também a comunidade indígena. E com esta motivação quatro famílias de caingangues acamparam no fim de semana que passou em meio à vegetação que sobrevive junto à uma das cabeceiras da Ponte do Tamarindo, no bairro Itoupava Norte. Ali produzem o artesanato que venderão na cidade.
      Cestos de taquara, peneiras, balaios e até aqueles "filtro dos sonhos" oriundos de tribos norteamericanas, tão em moda, estão expostos em frente ao acampamento, bem a vista para quem desce da Via Expressa rumo à Rodoviária, Policlínica ou rua 2 de Setembro. Na tarde desta terça-feira, o caingangue Gilmar produzia pequenos arcos de flexa, enquanto sua mulher fazia casas de pássaros, decorativas, com cipós. Mais ao lado, Edson elaborava uma bicicleta com ganhos de árvores e cipós, que receberia um pequeno cesto, também de cipó. Uma peça decorativa para ser enfeitada com flores e colocada no jardim ou varanda, explicava ele. Logo depois pôs-se a construir um pequeno carro-de-mão, com os mesmos materiais.
     Parte dos objetos, aqueles feitos com tiras de taquara, eles trouxeram prontos de Chapecó, onde vivem a maior parte do ano. E por aqui pretendem ficar até o Natal e, desta vez, melhor equipados do que em vezes anteriores, pois trouxeram pequenas barracas de camping. Sob abrigos de lonas plásticas pretas e sobras de madeiras ficam matérias primas e os objetos confeccionados artesanalmente.





O caingangue Edson, construindo uma bicicleta...

... com galhos e cipós, para decorar....

...quem sabe um jardim, enfeitada com flores



13 novembro, 2014

Vila EnCantos, projeto inédito de um músico determinado - II

      O Vila EnCantos é um projeto que revela o profissionalismo com que é executado, em todos os detalhes. No aspecto cultural, seu criador busca músicos ou grupos musicais de talento e as apresentações tem infraestrutura que garante a qualidade. Som, luz, tem equipamentos de primeira linha, operados por especialistas contratados. Os espetáculos são registrados com fotos e videos igualmente profissionais e um documentário já foi produzido, o "Viva Vila EnCantos". Até assessoria de imprensa ele contrata.
Schrubbe, promovendo a música com o próprio bolso
      Quanto custa tudo isso? Bem, o ousado Carlos Schrubbe já investiu cerca de R$ 23 mil do próprio bolso, desde 2012 e recorreu a empréstimo de R$ 40 mil para levar em frente sua criação. Desde 2012 contou com alguns patrocínios que amenizam os gastos, como os da Bermo Tubos, da construtora Frechal. Atualmente seu principal parceiro é o Shopping Park Europeu, empresas que acreditaram em sua proposta e na cultura. Há outros apoios como o da Haco, que disponibiliza o local para apresentações.
        PRÊMIO DA ACADEMIA
         Apesar das dificuldades, Carlos Schrubbe se diz feliz. Este ano de 2014 foi especial e compensador. Um convite para o cargo de diretor de Cultura da Fundação Cultural de Blumenau e prêmio da Academia Catarinense de Letras e Artes, são fruto e reconhecimento de seu trabalho. Na Fundação, seu objetivo é criar projetos, buscar verbas e agenciar projetos de artistas locais. A remuneração pelo cargo vai para o pagamento do empréstimo, diz. O Prêmio Edino Krieger, que receberá em Florianópolis, dia 5 de dezembro, deixa-o orgulhoso. Foi eleito Personalidade Musical do ano em aprovação unânime da diretoria da Academia, exatamente pelo seu "Vila EnCantos".
     E, apesar dos custos, as apresentações continuarão gratuitas, pelo menos em 2015. "Quero estimular a contribuição espontânea dos espectadores, diz o músico. E a cada espetáculo ele dá um "empurrãozinho" na platéia, como testemunhei nesta quarta, 12 de novembro: "Gostaram do concerto? Estava ótimo não? Então, valorizem os músicos com quanto puderem", incentivava ele, indicando a caixinha.



Vila EnCantos, projeto inédito de um músico determinado - I

      Tem gente - a maioria - que recorre ao dinheiro que conseguiu poupar e a empréstimos, para comprar/trocar de carro; comprar imóvel ou bens de consumo. Carlos Schrubbe, um jovem músico, violinista, de 26 anos, destoa, e transforma-se em um mecenas, um altruista, um sonhador determinado. Digo isto porque desde 2012 ele destina o que tem a um projeto inédito e ambicioso que criou e o conduz de forma solitária: o Vila EnCantos.
   
E não é modesto seu trabalho. Depois de cinco anos de planejamento, pôs em prática com dois objetivos: um pedagógico, outro cultural. O primeiro é destinado ao ensino da música, de forma individual ou em grupo. As aulas são em sua própria casa, no distrito Vila Itoupava, que este ano teve 80 alunos. O segundo, mais ousado, é promover espetáculos musicais de qualidade, uma vez por mês. E com ele já levou bandas, conjuntos, grupos, de formações e repertórios tão diversos como jazz, rock, música raiz (aquela sertaneja caipira), música barroca, blues e até ópera. Promoveu a Semana do Piano, levando dois instrumentos para o salão da Associação Haco.
      INEDITISMO
     Foram, desde 2012, 32 espetáculos para um público que ele estima em 6 mil pessoas, o que dá uma razoável média de 180 espectadores a cada apresentação. Os alunos vem da região Norte de Blumenau (Itoupavas, da Vila) e de municípios vizinhos, como Massaranduba. O público para os shows se origina da sede do município (da Centro à Vila são 25km), e até de outros Estados. Da própria Vila Itoupava, apenas 20%, estima o criador do projeto.
     O VilaEncantos é inédito no país por suas características: o formato; por ter uma agenda fixa mensal; por ser de iniciativa e execução particular e com sede e apresentações no interior do município.

Orquestra Furb encerra espetáculos musicais na Vila, a Vila EnCantos

     Acordes musicais voltaram a envolver o rústico salão da Associação Haco, na Vila Itoupava, nesta quarta-feira, 12 de novembro. Agora partiam dos violinos, violoncelos, flautas, trompetes, saxofones, entre outros, da Orquestra da FURB, para reproduzir obras de Haendel, Mozart, Verdi, Robert Smith e do mestre o tango contemporâneo Astor Piazzolla.
     Foi mais uma iniciativa do ousado e altruista músico Carlos Schrubbe, com seu inédito projeto Vila EnCantos, que tem oferecido música de excepcional qualidade, e gratuitamente para o público, naquele distrito de Blumenau. O público, pena, foi pequeno e bem abaixo da média habitual neste concerto da aplicada orquestra da Universidade local, conduzida pelos maestros Roberto Rossbach e Luiz Lenzi. Didáticos, os maestros transmitiram à platéia detalhes sobre cada obra executada e tiveram eles e os músicos, a atenção e os aplausos. Chamou-me a atenção uma violinista, pela juventude que aparentava: soube depois, é a mais nova integrante da orquestra, em tempo e idade, com seus 17 anos, ainda estudante do 2º Grau, na Etevi. Luiza é seu nome.
 
Carlos, divulgando música
  ENCERRAMENTO
      Com este concerto, Carlos Schrubbe, ele próprio um violonista e professor de música, encerrou as atividades do Vila EnCantos em 2014. Um ano pródigo, em que proporcionou ao público exibições marcantes de jazz, rock, música barroca, semana do piano e até apresentação de uma pequena ópera. Levou para o salão da Haco também o maior alaudista (instrumentista de alaúde) do Brasil, Guilherme de Carvalho. A programação eclética para a formação musical de seus alunos e promoção de uma cultura musical na Vila Itoupava também incluiu uma apresentação dos Velhos Camaradas, o coral masculino do Clube 25 de Julho, que tanto sucesso tem alcançado na Oktoberfest. E com eles, teve o maior público de um espetáculo, com 360 pessoas na platéia.









27 outubro, 2014

Fim de festa e a próxima já tem rainha e princesas

        A 31ª Oktoberfest, principal evento turístico de Blumenau, terminou neste dia 26 de outubro, registrando a passagem de 458.550 pessoas em suas catracas, nos 19 dias de festa. E a programação oficial foi encerrada com a escolha das rainha e princesas da próxima edição. Uma festa que ocupou durante quase duas horas o Setor 2, com entrevista, desfile, prova de oratória e dança coreografada das dez candidatas. As escolhidas foram Tamiris Gallois Ficht, de 21 anos, acadêmica de Direito, como Rainha; Maú de Oliveira, 24 anos, professora de Educação Física, como Primeira Princesa e Daniela Cristina Spézia, acadêmica de Engenharia Elétrica, como Segunda Princesa. Inscreveram-se para o concurso 25 jovens, das quais dez foram selecionadas para disputar a realeza. Irão substituir Sheila Ewald, Tayene Amábile da Silva e Deise Emanuele Kraemer, respectivamente Rainha e princesas da festa que encerrou.
       
Malú, Tamiris, Daniela
Stodieck, Secretário de Turismo, entrega a faixa
Sheila, então rainha, entrega a coroa
Tamires, Rainha da 32ª Oktoberfest









No encerramento da Oktoberfest, mais uma vez o empolgante Velhos Camaradas

         Participei da Oktoberfest que encerrou nesse domingo, 26 de outubro, de cabo a rabo. Ou melhor, do começo e do fim, pois passou o tempo de ir lá todos os 18 dias. Da abertura, registrei o primeiro desfile de rua e a sangria do barril que caracteriza o início da festa. Do encerramento, deixo imagens de mais uma apresentação do que era simplesmente o Coral do Clube 25 de Julho e é hoje, os "Velhos Camaradas". Entusiasmados, animados e irreverentes, se tornaram a principal atração da festa para os moradores da região e turistas, especialmente aqueles acima dos 40 anos de idade. Com pouco mais de duas horas de espetáculo, que ganha adicionais, como a exibição de "ciganos" dançando ao som de violino e o desfile de "monges" portando tochas para acompanhar solenemente o condutor de um grande caneco de chope em momentos especiais, fazem lotar o pavilhão Biergarten.










13 outubro, 2014

A voz do samba e da raça negra na germânica Blumenau

Carlos Silva, professor, sambista
      "Eu sou o samba(...). A voz do morro sou eu mesmo....". Esta frase, do samba de Zé Keti, lá dos anos 50 e  se tornou conhecida em 1964, me ocorreu de imediato quando pensei em falar aqui no blog, do Carlos Silva e seu trabalho para divulgar o bom samba nesta terra de origens germânicas. A ocasião veio com o "1º Samba de Terreiro", promovido por ele neste domingo, 12 de outubro, quando trouxe convidados do Paraná, o grupo Sindicatis, para homenagear "as velhas companheiras Portela e Mangueira".
         "Eu sou o samba". Coincidência relevante: quando botei o olho na cuíca, do Carlos Silva, nesta tarde, lá na Associação de Moradores do Bairro Fortaleza, deparei com a mesma declaração do compositor de "A voz do morro". Carlos, que conheci jornalista no Santa, que passou pela A Notícia e com quem trabalhei novamente na Comunicação da prefeitura, por um tempo, professor universitário, é, em Blumenau, a voz da raça negra, ou dos afrodescendentes.
Trabalho voluntário em favor de uma cultura
         CONSCIÊNCIA NEGRA
        Seu trabalho não pretende ser ideológico ou político, mas, sim, cultural. Foi por isso que incentivou o amigo Paulo Roberto Silva, o Beto, a organizar um grupo de pesquisa e divulgação do samba de raiz, há 10 anos. Surgiu, então, o "Confraria do Samba", inicialmente com seis integrantes, hoje nove. E foi além neste trabalho: criou o propôs para a direção da rádio e TV Furb, o "Batuque na Cozinha".
        E lá se vão oito anos divulgando no microfone da Rádio Furb, todos os sábados ao meio-dia, com reprise aos domingos, às 13h, o samba e seus autores. É um trabalho didático, em que procura mostrar a importância da música criada e executada por artistas afrodescendentes na vida brasileira. E um trabalho voluntário, sem remuneração. A recompensa do professor e sambista Carlos Silva é o reconhecimento de outros sambistas, estudiosos e divulgadores deste gênero musical.
       Professor no curso de Publicidade e Propaganda, Carlos quer ir além: batalha para que a Furb faça funcionar um Núcleo de Cultura Afrobrasileira. Afinal, a legislação já exige das universidades atitudes neste sentido e, mais do que isso: Blumenau não é apenas "germânica", afinal, 10% de sua população é negra, conforme o senso mais recente do IBGE. Mas, por enquanto, esta sua iniciativa não encontra eco na liderança acadêmica.
Tarde de samba no Fortaleza
        VELHAS COMPANHEIRAS
       Enquanto isso, em em meio à Oktoberfest, seus companheiros do Confraria do Samba, os amigos do Sindicatis, que também se dedicam ao estudo e pesquisa, e mais um punhado de admiradores do samba-de-raiz, do samba do morro, curtiram boa música por algumas horas na quente tarde dominical. Uma tarde dedicada a sambas compostos e cantados por sambistas e nas rodas das escolas de samba Mangueira e Portela, "que sempre foram amigas, as primeiras dos velhos carnavais", explica-me o professor Carlos Alberto Silva.



Confraria do Samba e...
Sindicatis, homenageando Mangueira e Portela




09 outubro, 2014

Sangria do barril marca abertura oficial da Oktoberfest

     Em meio a sorrisos, aplausos, gritos e um banho de chope em uma dezena ou mais de festeiros, foi dada a largada oficial de mais uma Oktoberfest de Blumenau, a 31ª. Depois de alguns discursos, hinos nacionais da Alemanha e Brasil, o prefeito Napoleão Bernardes e o ministro do Turismo Vinícius Lages, fizeram a sangria do primeiro barril. E a sangria foi a abertura de uma válvula que faz jorrar um jato de bebida sobre o público. Isto no palco do Setor 1, enquanto a festa já rolava em outros três setores.
   

           Música, chope, cervejas artesanais e comidas típicas, incluindo cachorros-quente com chucrute, espetinhos de salsicha bock e batatas recheadas, são os ingredientes principais da festa que vai até dia 26 de outubro. Nas segunda-feiras o ingresso é gratuíto. Nos domingos, terças, quartas e quintas-feiras, R$ 10,00 e nas sextas e sábados, R$ 25,00. Sábados e domingos o ingresso é cobrado a partir das 15h e nos dias de semana a partir das 18h. Podem ser adquiridos pela internet no site okbtoberfest.com.br. Diariamente o Parque Vila Germânica está aberto para almoço e visitação. O chope custa de R$ 6,00 a R$ 8,00, copo de 400ml, refrigerantes R$ 5,00 e água mineral R$ 3,00.
          Mais imagens da abertura oficial e da primeira noite, que teve ingresso gratuito:









Banda Fridas animou o ....
...Biergarten, pavilhão de lona