21 agosto, 2014

Desleixo, e a história vira cinzas

      O dilema do governo municipal sobre o que fazer com o antigo Restaurante Froshimm, no Morro do Aipim, foi resolvido nesta quarta-feira, final de tarde: alguém ateou fogo ao prédio. Em pouco mais de duas horas uma parte da história da cidade virou cinzas. Ironicamente, a Secretaria de Comunicação da prefeitura divulgou nota oficial no inicio da noite informando que o governo "estuda a possibilidade de restaurar o prédio".

     Construido em 1968, inaugurado no ano seguinte, em terreno doado ao município em 1909 pelo filho do fundador da cidade Dr. Hermann Blumenau, o Restaurante Froshimm foi uma das referências gastronômicas da cidade por quatro décadas. Referência pelas características alpinas do prédio, do cardápio com pratos típicos germânicos e pela excepcional vista da cidade que oferecia com suas amplas varandas. Fechou as portas oficialmente em 2012.
     Prédio público, ficou praticamente abandonado pela administração municipal. Depois de denúncias de ocupação irregular, foram colocados tapumes fechando o avarandado e janelas, no ano passado. A administração garante que mantinha vigilantes no local e até sistema de alarma. Mas, no inicio de julho fui lá, constatei que até porta arrombada havia.Informei ao secretário de Turismo, pasta responsável pelo local. Mas, aparentemente, nada mudou e o local continuou com grande frequencia de usuários de drogas.
     A administração pública anunciou, com alarde que o prédio seria vendido, mas que exigiria do comprador, que mantivesse as características e que desse destinação turística ou cultural ao imóvel. Hoje, depois de destruido pelo incêndio que iniciou por volta das 17h da quarta-feira, fitas plásticas "impediam" o acesso ao local. Um vigilante de empresa particular contratado pela prefeitura disse que no início até havia guarda no local, mas foi retirada porque não havia água, energia elétrica, instalações sanitárias no local.
     Na nota oficial divulgada pouco depois do incêndio, a Comunicação da prefeitura disse que foi registrado boletim de ocorrência na Polícia, durante a semana, por tentativa de incêndio e que até câmera de vigilância que havia no local foi roubada. Mas o local continuou, como se constata, no abandono.

















17 agosto, 2014

Ponte do Badenfurt aberta ao tráfego e caos no trevo da BR-470

 
Complexo viário finalmente pronto, após três anos
     Esta aberta ao tráfego a nova ponte do Badenfurt, ou melhor, complexo viário. A nova ligação cruzando o Rio Itajaí-Açú, melhora a vida de quem entra na cidade pela BR-470 com destino à região Leste da cidade (ruas Bahia e General Osório) ou vice-versa. Mas, toda possível euforia do motorista vai desaparecer ao enfrentar o trevo daquela nova via com a BR-470. Como nada que se faz por aqui é perfeito, o caos naquele ponto será inevitável. Faixa colocada próximo ao trevo já avisa que vem criticas por ai.
Conhecer a nova ponte, a atração do domingo

E o trevo da BR-470 congestionou
      Às 14h deste domingo, pouco depois de concluída a cerimônia oficial de entrega do complexo viário, o tráfego de veículos, pedestres e ciclistas era intenso no local. Tive a impressão que muita gente antecipou o almoço ou deixou a "sesta" de lado para conhecer a novidade. Bonita no aspecto geral, a obra iniciada em 2011, apresenta algumas soluções esquisitas: o túnel para pedestres e ciclistas, por exemplo, 100 metros distante da Rua Bahia. Além da volta que precisarão dar, pedestres já reclamam da segurança: o lugar isolado será um atrativo a assaltantes. Para os ciclistas, foi pintada uma faixa que vai até a rampa que desce para o túnel. A ciclofaixa continua na calçada compartilhada, no outro lado, junto à pista sentido BR-470-Rua Bahia.
      Para economizar verbas, o percurso dos motoristas que trafegam pela Rua Bahia e seguem por esta via ou querem pegar a General Osório, ganhou 1 km mais: ao invés de seguir em frente ou atravessar um viaduto, devem seguir o fluxo de quem vai atravessar a ponte, pegar via marginal, contornar por baixo da cabeceira da ponte para então retornar.
      CAOS NA BR-470
     Mas, é junto ao "trevo de Pomerode", que o novo complexo se tornará mais "visível". Neste domingo, às 14h15, havia filas de carros em todos os sentidos. Na BR-470, de quem chegava vindo de Indaial e de quem rumava para lá (neste caso o congestionamento iniciava pouco antes do Celeiro do Vale; motoristas que vinham de Pomerode precisaram paciência para conseguir chegar ao trevo, pois a fila era longa. Se no inicio da tarde de domingo o transtorno era evidente, no final da tarde e durante a semana provocará muita dor de cabeça. E se o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes decidir esperar pela duplicação daquela via, para uma solução, teremos caos por muito tempo.

Rua Bahia fechada...

...e percurso para motoristas aumentou 1km
Ciclofaixa de 100m....

.... e este não descobriu...

... que deveria descer a rampa, cruza a pista....    
...por um túnel, como percebeu este

E pedestres já reclamam da falta de segurança

A parte boa da novidade termina...
no chamado "trevo de Pomerode"

03 agosto, 2014

No findi, imagens que fiz ao longo da semana

Banda Municipal na festa dos 52 anos

Petúnia vistosa....

...e fungos no caule que sobrou de um limoeiro

Mansidão na Itoupava Central

Sombras no interior da Vila Itoupava

A fé, vislumbrada entre a penumbra da mata

Chamas no céu de fim de tarde

O entardecer visto da minha janela

Jazz, que atrai e encanta...mesmo crianças

01 agosto, 2014

Uma história de superação ao desinteresse e pouca valorização

Qualidade musical reconhecida nacionalmente
A provavelmente melhor banda municipal do país ultrapassa meio século de existência, se aprimorando ainda mais. E, principalmente, superando secretários de Cultura mais ou menos competentes, e a indiferença ou interesse apenas formal de prefeitos pela instituição. Não é sem razão que a quase totalidade dos músicos usa seus instrumentos próprios.
     O atual secretário de Cultura Silvio Zimmermann e o prefeito Napoleão Bernardes estavam na apresentação comemorativa aos 52 anos, no Carlos Gomes. Ambos sorridentes. Afinal, tem uma instituição que orgulha Blumenau pela sua qualificação, diverte, anima, a um custo baixo. A prefeitura repassa à Sociedade Amigos da Banda Municipal apenas o equivalente a um salário mínimo a cada componente, a titulo de ajuda de custo.

      SOCIEDADE, A SALVAÇÃO
     Silenciada durante as administrações de Vilson Kleinubing e Renato Vianna, a Banda Municipal foi reativada no inicio do governo de Décio Lima. A criação da Sociedade Amigos da Banda Municipal foi a maneira de dar mais fôlego à instituição. Com isso pode atender de particulares e receber por apresentações. A banda não dispõe de veículos para transportá-la e aquisição de instrumentos só é possível quando recebe verbas da Funarte. “Com a última, de R$ 25 mil, há dois anos, conseguimos comprar um sax barítono, que era um sonho nosso, uma tuba e uma bateria”, diz o maestro, regente, trompetista e vocalista João Carlos Cunico.

      ESFORÇO PESSOAL 
       A deficiência de recursos, porém, não impede que a Banda seja reconhecida por músicos e maestros de outros grupos musicais do pais por sua qualificação. Três ensaios semanais, com três horas e meia de duração cada um, mais a participação em cursos com os melhores professores, em workshops, estes as custas e por iniciativa dos próprios músicos, fazem parte da busca pela excelência, observa o maestro e regente Cunico. Alguns dos 22 componentes tem cursos superiores de música, outros, talentos natos, como o clarinetista Andreas Flesch de Freitas. “Ingressou na banca com 10 anos de idade, hoje, com 13, já faz solo neste que é um instrumento dificílimo", comemora o maestro. 
       
Maestro e outros 21 músicos, prestadores de serviço
Sobrevivência, apesar de pouco apoio ao longo da existência
Talentos, como Andréas, reforçam a excelência da banda



Mais um espetáculo da sensacional Banda Municipal

Aos 52 anos, um presente para o público
       A banda municipal mais eclética do Brasil, e certamente uma das melhores do gênero, comemorou na noite desta quinta-feira, 31 de julho, 52 anos de existência. A festa foi um espetáculo no Teatro Carlos Gomes, lotado por um público tão diversificado quanto o repertório apresentado pelos 22 músicos regidos pelo maestro João Carlos Cunico. Jazz, samba, forró, rock, homenagens a Tim Maia e Adoniram Barbosa, com a participação de cantores, músicos e bailarinos convidados fizeram parte das execuções, que sempre emocionam.
      Falo da Banda Municipal de Blumenau, criada em 1962 e que iniciou com 18 componentes comandados pelo maestro Frank Baungartem, que deu lugar, dois anos após, ao maestro Marcílio Rodrigues. Este ficou na direção da banda por 25 anos. Os anos 90 iniciaram com os instrumentos silenciados e assim ficaram até 1997, quando foi reestruturada sob a batuta do então sargento do Exército Edson Ricardo. Foi um período em que chegou a ter 45 componentes e fazer até 160 apresentações no ano. Mas agora com músicos contratados e não mais concursados, como nos anos iniciais. Destes concursados, alias, só um permanece em atividade, Maurício Schaeffer, 45 anos de idade, 23 de banda municipal.
Sapateado, com o maestro Cunico como vocalista
       REPERTÓRIO DIVERSIFICADO
      E quando digo que é a mais eclética, baseio-me no amplo repertório, dos mais variados gêneros. "Temos repertório de big band (grande grupo musical, de apresentações em palco); de rua (para desfiles como o aniversário da cidade, por exemplo), marcial (para datas como o Dia da Independência) e para Oktoberfest", enumera o maestro Cunico, que está há 15 anos na Banda, oito deles como regente. "E todas as músicas com pauta", complementa orgulhoso.
 
A música de Gonzagão nos acordes da Banda
     PRODUÇÃO ESMERADA
       O espetáculo desta quinta foi produzido com esmero: jogos de luzes, reproduções de vídeos relacionados com as músicas executadas ou aos homenageados e à própria banda, exibidos em três telões. Músicos e cantores foram convidados para compartilhar a festa. Entre os primeiros, Denusa Castellain, com flauta transversa; João Bridi, flauta; Braion Zabel, sax tenor; Wilian Ferreira, clarinete, Viviane Luza, trompete. No vocal, Rafael Monteiro, Oséias Pereira (como cover de Tim Maia), Lúcio Locatelli (filho do falecido regente do Camerata Vocale Aldo Locatelli), interpretando Frank Sinatra e Bel Cidral, que relembrou Adoniram Barbosa. Também deram brilho bailarinos e coreógrafos do Pró-Dança, do Pró-Família, da Escola de Dança Arte A 2 e Grupo Folclórico Alpino Germânico.
O samba paulista de Adoniram revivido

Meninas do Pró-Família, colorindo a festa

Com o grupo Alpino Germânico, marca da Oktoberfest
Bel Cidral, cantora convidada

Willian, solo de clarinete

Oséias Pereira, relembrando Tim Maia
Braion, convidado para solo de sax


João Carlos, o jovem André e Maurício, veterano na Banda